
Summary: Canção do cisne ou "Canto do cisne" é uma referência a uma antiga crença de que o cisne-branco (Cygnus olor) é completamente mudo durante toda a sua vida, mas pode cantar uma bela e triste canção imediatamente antes de morrer.
A última coisa que ela fez antes de morrer foi olhar nos meus olhos e dizer “sinto muito”.
Forgive me, please.
Ontem eu sonhei com o dia em que meus pais morreram. Dia estranho. Os relógios da casa nunca mais funcionaram desde esse dia. Congelaram nas doze horas. Claudia nunca tentou consertá-los, talvez por respeito a eles ou... Não sei dizer.
A mesma coisa com o quarto. As coisas estão lá, trancadas desde que eu tinha quatro anos. Exatamente do jeito que eles deixaram. Às vezes eu entro naquele cômodo para pensar. O cheiro meio doce dos perfumes da minha mãe misturados ao forte cheiro de colônia do meu pai clareia minha mente.
Nunca soube dizer o motivo.
Me chamo Evelyn Carter. Tenho 17 anos, 1,64 de altura, meus cabelos são compridos, oscilando entre o roxo e o lilás. Meus olhos são vermelhos. A Morte é uma velha amiga. Sempre uso óculos de aviador, luvas cortadas nos dedos, jeans e uma blusa solta com a imagem da Marilyn Monroe estampada.
Sou bailarina. Por um capricho da minha mãe. Ela também era bailarina. A Swan Queen do Lago dos Cisnes. Era perfeita. Linda. Seu cabelo era castanho claro, ondulado, mas sempre estava preso num coque apertado no topo de sua cabeça. Era delicada quando caminhava. Seus olhos eram verdes claros.
Seu nome era Audrey.
Meu pai a amava muito. O nome dele era Joseph. Seu rosto era anguloso, seus olhos eram cor de mel. Ele adorava ver minha mãe dançando o lago dos cisnes. Era pianista e compositor. Cantava canções de ninar em francês quando eu era pequena. E adorava me contar histórias.
Quando penso sobre meus pais, me lembro da história de Orfeu*.
Não faz sentido, mas penso.
Quando eu fiz quinze anos, cortei meu cabelo. Troquei o shampoo por água oxigenada. Meus fios se tornaram brancos. Foi um acidente. Comprei uma tinta qualquer e o pintei.
Ficou roxo.
Eu gostei. Mas Claudia achou moderno demais, mas se acostumou com o passar do tempo. E descobri que a cor do meu cabelo não voltaria tão cedo.
Não liguei.
Moro numa casa com um jardim enorme. Quando neva, as estátuas tornam-se brancas, paradas numa eterna posição faça chuva ou faça sol. Meu pai uma vez me disse que as estátuas ganham vida por um minuto quando é meia-noite. Diz que elas correm ágeis, e depois retornam.
Nunca compreendi como.
Nem nunca irei.
Algumas coisas sempre serão um mistério.
Como Liam.
Liam é meu amigo. Tem a minha idade. É alto, tem olhos azuis e cabelos pretos desalinhados que normalmente estão bagunçados. Adora Romantismo**. Caminhar pelo meio fio da calçada enquanto vamos para a escola, correr na chuva e o cheiro de livros antigos.
É um bom garoto.
Descobriu que gosta de música clássica quando apertou as teclas do piano da sala da minha casa. Disse que nunca tinha ouvido uma coisa tão linda em toda sua vida. Passou a viver disso. Aprendeu a tocar.
Ele não sabe que sou bailarina. Ninguém sabe. Nem minha melhor amiga. Nunca cheguei a dizer por... Falta de assunto. Mas ao contrário das outras bailarinas, tenho aulas particulares.
Minha professora, Margaret, foi a Swan Queen*** por oito vezes seguidas num espetáculo. É uma mulher delicada, de olhos verdes-musgo e cabelos ruivos. Seu rosto é manchado de sardas pequenas. Tem quarenta e seis anos. Com um corpo de vinte.
Ela diz que eu sou uma ótima bailarina. Como minha mãe era.
Mas não gosto de palcos. Não gosto do centro do palco. Nem mesmo os cantos dele. Ver todos aqueles olhares focados em seus movimentos, no jeito como você respira...
Prefiro o anonimato.
A escuridão, o frio e o silêncio.
Acho que não tenho muito mais o que dizer. Talvez um até logo ou um “vejo você em breve”. Mas não faz meu estilo.
Só... Carpe Noctem.
Evelyn Carter
01/03/2011
http://www.fanfiction.com.br/Cherry-Luna
Nenhum comentário:
Postar um comentário